Parque Ecológico Spitzkopf.

Entenda porque o Guia SC Turismo não recomenda a visitação ao Parque Ecológico Spitzkopf, localizado em Blumenau, sendo um dos pontos mais altos da região e parte do Parque Nacional Serra do Itajaí.

Já havendo sido visitado em outras oportunidades, as trilhas do Spitzkopf sempre foram um destino prazeroso.
Moradores da cidade e turistas faziam de suas trilhas um atrativo para imersão na natureza, onde podia-se realizar diversos níveis de caminhadas, banhar-se em cachoeiras, acampar, pernoitar em chalés e dos seus 914 metros de altitude vislumbrar a mata atlântica, montanhas e cidades vizinhas.

A área onde se encontra o parque é um elefante branco para os proprietários.

Em 2004 a área foi decretada parque nacional por decreto oficial, porém a União até hoje não indenizou os proprietários dos terrenos dentro do território de preservação ambiental.
Dessa forma, qualquer modificação ou reforma nas propriedades necessita de autorização dos órgãos competentes, porém não há qualquer auxilio aos donos responsáveis.

Encerrando-se essa breve explicação da situação legal do Parque Ecológico Spitzkopf, menciona-se que mesmo diante desse entrave de anos, o acesso ao parque sempre foi facilitado pela antiga família dona da propriedade, que de forma extremamente receptiva bem recebia os visitantes e zelava pela manutenção das trilhas e da estrutura de hospedagem.

A pouco mais de um ano o casal Ivan e Coca, belgas naturalizados brasileiros, adquiriu o imóvel de entrada do parque e outra propriedade mais acima, ao investindo da soma de R$ 3.5 milhões.

O Guia SC Turismo foi visitar novamente o parque e ver como está a situação, agora sob nova administração. Assim, infelizmente observou-se:

O primeiro diferencial que se identifica são as limitações quanto ao horário de visitação.
Até então o parque estava disponível aos visitantes de Segunda a Segunda, o que seria algo óbvio, visto tratar-se de um ponto turístico e também destino de turmas escolares, fotógrafos, escoteiros em treinamento e estudiosos da fauna e flora.

No momento atual, sob imposição dos atuais proprietários, apenas permite-se o acesso as trilhas em horário comercial aos Sábados, Domingos e feriados, sem exceções, ao custo de R$ 10,00.Os chalés estão fechados e está terminantemente proibido acampar dentro do parque.
Enfim, como estávamos em um Sábado e não era o intuito pernoitar ali, relevamos estes fatos, que à nós seriam inerentes, realizando apenas a anotação dos mesmos.

Fomos abordados grosseiramente pela proprietária atual, Dona Coca, que realiza a cobrança do “ingresso”, porém onde não se recebe nenhum ticket, recibo ou exige-se alguma assinatura, o que além de demostrar que não há nenhuma arrecadação de imposto na exploração do atrativo turístico, também deixa claro que não há controle do número de visitantes que entra ou sai.

Como ao visitar qualquer parque florestal, questionamos sobre as condições das trilhas, a disponibilidade para acampamentos e locações dos chalés, afinal o objetivo do Guia SC Turismo é informar. De forma ríspida e sem exitar a proprietária informou que os chalés estão fechados, e assim permanecerão, não será mais permitido acampar no parque e que as trilhas estão sendo zeladas pelo casal.

A mesma frisou por diversas vezes com seu português arranhado, que ela e o esposo são os atuais proprietários do parque e de mais um terreno, informaram o investimento milionário que realizaram e  mencionaram que não tem interesse em disponibilizar o acesso ao parque, salientando que os visitantes não tem consciência e o que casal não necessita dos míseros trocados que ganham com as visitações.
Segundo palavras o único interesse ali seria a preservação ambiental do local.
Dona Coca justifica como o porque de estarem praticamente fechando o parque, dificultando ao máximo a visitação e o proveito de uma área tão exuberante, dar-se ao fato de que o casal, que enfrentou a catastrófica enchente de 2008 onde perdeu o imóvel que residia, localizado em uma das áreas mais nobres da cidade, sentir-se amargurado por não ter recebido ajuda.

Em poucas palavras, por não terem recebidos gestos solidários na época em que “precisaram”, neste momento também não sentem a necessidade em serem generosos na facilitação de acesso a um dos mais tradicionais pontos de visitação da cidade de Blumenau.

Finalizada a triste e desgastante conversa, iniciamos a trilha até o topo da montanha, que era o objetivo inicial e não poderia ser abandonado, mesmo com a lamentável enxurrada de informações.

O estado das trilhas é bom, o caminho até o topo está aberto, sem obstáculos, sendo uma subida de aproximadamente 3 horas, de dificuldade moderada. Apesar da falta de sinalização não há como errar!
Porém, no caminho encontrou-se muito lixo, como garrafas de vodca, latas de cerveja e plásticos, contradizendo as informações que as trilhas tem sido limpas e o lixo recolhido.
Compreende-se que existem visitantes realmente sem consciência ambiental, mas uma grande observação a se fazer é que também não existe nenhuma única lixeira nos 6 km até o topo, o que facilitaria o descarte.

Em meio a caminhada, algo que nos surpreendeu de forma negativa ainda mais, foi encontrar ao lado da trilha, pilhas de pneus acumulados sem nenhuma cobertura.
Provavelmente ali estavam para serem utilizados futuramente como barricada para pequenos desmoronamentos, que podem acontecer naturalmente por conta das tradicionais chuvas que de tempos em tempos afetam a região. Porém, como é informação notória na mídia, o acumulo de água que ocorre em pneus expostos ao tempo é um grande proliferador do mosquito da dengue, Aedes aegypti, transmissor da dengue, inclusive já tendo levados pessoas à óbito na cidade nas últimas semanas.

Chegamos ao topo e somando-se ao desgaste, tudo o que tínhamos tomado conhecimento e observado até então fez com que a vista já não fosse mais tão prazerosa.
Lamentamos que o desenvolvimento ambiental, a manutenção de um ponto turístico tradicional da região  e a interação homem/natureza tenha sido suprimida por interesses tão extirpadores.

O Guia SC Turismo acredita que o contato com a natureza é uma das poucas formas que o ser humano tem para fugir do desgastante caos diário e é a melhor forma de conscientização, afinal, apenas pode-se cuidar e querer bem aquilo que se conhece, para preservar é preciso adquirir intimidade e tomar noção do quão fundamental a natureza é para o nosso bem estar e para nossa sobrevivência natural.

É inadmissível que a especulação imobiliária prive a nós e a nossas futuras gerações de conhecer florestas, nascentes, animais, plantas e paisagens, simplesmente pelo objetivo do acumulo de cifras financeiras.

Desta forma, o Guia SC Turismo não incentiva mais a visitação ao Parque Ecológico Spitzkopf, pelo estado físico e administrativo que o mesmo encontra-se, apesar de o local ser muito prazeroso, busque outros destinos.

Ainda neste semana disponibilizaremos outras opções de visitação e contato com a natureza na região, melhores administrados e com a mesma satisfação paisagística.

Porém caso seja interesse de você leitor enfrentar seus limites, desbravando a trilha que leva ao mirante do topo, para observar a vista e tirar por conta própria suas conclusão sobre o parque segue o endereço:

Parque Ecológico Spitzkopf
Rua Bruno Schreiber, 3777
Bairro: Progresso
Cidade: Blumenau/SC
CEP: 89027-400
Telefone: Não possui*
Site: Não possui*Fotos tiradas pelo Guia SC Turismo: AQUI.

*Pelas informações da proprietária site e telefone foram desabilitados a fim de desestimular o número de visitantes.

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