A Prainha é nossa!

A Prainha, como é carinhosamente chamada a Praça Juscelino Kubitschek de Oliveira, em Blumenau, é um simbolo histórico da cultura e do estilo de vida blumenauense.
As margens do Rio Itajaí-Açú, recebeu o apelido devido a pequena praia formada pela areia acumulada do rio, onde até algumas dezenas de anos atrás, era habitual a população se reunir para a pratica de esportes náuticos, atividades ao ar livre e muita diversão na praia de água doce!

 

Na Prainha também está exposto o Vapor Blumenau, navio inaugurado em 1895, que fazia o transporte de cargas e passageiros entre o centro de Blumenau e o Porto de Itajaí. Um percurso que atualmente leva aproximadamente 45 minutos pela rodovia, na época durava até 8 horas, sendo muitas vezes a diversão dos jovens!

A Prainha, foi desde os tempos coloniais, um notório ponto turístico da cidade, onde já naquela época era um dos primeiros locais avistados por aqueles que chegavam em Blumenau, já que defronte a praça ficava o porto fluvial.
Ali também aconteceu o Skol Rock, em 1993, evento musical épico para a região, que reuniu um mar de gente na beira do rio para ver bandas nacionais. Mais indiferente do que já tenho acontecido e passado pela Prainha, o fato é que dali pode-se ter uma das melhores vistas do centro da cidade. Vale a pena deixar uma tarde passar, aproveitando alguma sombra, conversando com os amigos, com a maravilhosa vista da Beira-Rio e suas construções que contrastam passado e presente!
Mais do que conhecer, viva a cidade.
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O tempo passou, o trânsito pelo rio foi abandonado, Blumenau e as demais cidades rio acima foram crescendo, o “desenvolvimento” poluiu o rio, tornando a água insalubre para qualquer atividade e as diversas enchentes foram destruindo pouco a pouco a margem do rio, que de seus tempos ouro, caiu no abandono, deteriorando-se dia após dia.
A concha acústica, presente de uma grande empresa têxtil da cidade, viu o tempo ser cruel e hoje não pode mais ser usada. O chafariz desapareceu depois de tantas enxurradas, dizem que está soterrado…

Em 2012, o espaço já abandonado foi definitivamente fechado e transformado em um canteiro de obras pela prefeitura da cidade, em uma tentativa de conter o deslizamento de toda a margem do rio, atualmente já totalmente tomada pela população e suas construções sobre o rio.
Entre dificuldades na obra e uma forte mobilização de grupos sociais e de coletivos culturais a prefeitura aos poucos foi cedendo e o grito da sociedade foi atendido: Devolvam a Prainha ao povo blumenauense!
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Hoje, a praça encontra-se muito melhor, apesar de ainda não estar totalmente recuperada, mas já é possível novamente olhar para o Vapor Blumenau sem presenciar um patrimônio caindo aos pedaços como estava até pouco tempo atrás… também há playground, houve o paisagismo do local e frequentemente é possível ver o encontro de grupos culturais da cidade expondo suas atividades ao público.
Há também em anexo um restaurante turístico, o Moinho do Vale, inaugurado com o mesmo nome e na mesma construção de um clássico da cidade, que atendeu moradores e turistas por 33 anos. Mas apesar da construção ser patrimônio da cidade, pouca ou nenhuma ligação tem com o bem estar do local, porém com toda certeza a proximidade de ambos os lugares colabora para a movimentação dos visitantes.


3Claro que hoje não é mais possível se banhar no Rio Itajaí-Açú, algo que deveria ser prioridade em meio aos tantos projetos para a Blumenau do futuro. Ainda não pode-se andar por dentro do Valor Blumenau, como fazia-se no passado e a concha acústica é só um esqueleto, inutilizável por artistas. Mas o importante é que novamente a Prainha está suspirando. Sente-se um coração histórico e cultural batendo novamente, mesmo que fraco.
Cabe a nós e a nossa persistência a sua recuperação total e breve, afinal, a Prainha é nossa!

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