SC dorme para o Turismo

O turismo é claramente uma das maiores possibilidades de desenvolvimento de um país. Porém sabidamente, o turismo ainda é fraco no Brasil, para não dizer cego e burro.

Os motivos são vários: Seja porque não há apoio aos empresários do setor (dificuldade para financiamentos e legislação emperrada), talvez pelo comodismo de muitos que se aventuram em empreender na área, a soberba do brasileiro, em querer desbravar o mundo antes mesmo de conhecer as belezas da esquina e não podemos deixar de lado a exploração tributária somada a ganância.

Constituir uma empresa no Brasil ainda assusta, é enrolado e se posto na ponta do lápis suga quase todo o lucro, o que inviabiliza o crescimento. Literalmente, boas ideias morrem na casca.

E as dificuldades não assombram apenas aos novos empresários, mas é o fantasma de empresas de todo porte. Não por menos, 80% do setor é feito de micro empresas ou na informalidade.

As entidades do setor, agora especificamente falando de Santa Catarina, não tem gestão de longo prazo e o governo não trata o setor com seriedade.

Uma infinidade de órgãos e associações se divertem as custas do empresariado, enquanto colocam sua logomarca em projetos aos quais não moveram uma palha. É algo corriqueiro a empresários do trade turístico receberem o “apoio”, seja de associações ou do Governo, mas resumidamente, quem planeja, financia e executa é o empresário, os “apoiadores”, bom, apoio moral conta? 

Essa história de viagens para promover o destino, não se iluda querido associado. Lembro do Guilherme Paulus, fundador da CVC e um dos maiores empresários do setor na América Latina, falando sobre alguns representantes de conventions, que viajam para “promover”, mas na verdade tiram férias, aproveitando para esquiar, fazer compras, passear…

Vá há algumas feiras de turismo, preferencialmente fora de SC, discretamente visite o estande do estado, veja como é o atendimento e de qual forma recebe as informações. Quem normalmente se dedica nesses eventos e promove o estado é o empresário que está bancando sua viagem, seu estande e precisa vender seu peixe.

Sem falar nos milhões gastos com planejamentos que não saem do papel, dos Grupos de Trabalho que pouco desenvolvem (servindo muitas vezes de vitrine política)…

Um triste exemplo no estado é o Plano Catarina 2020, plano de marketing internacional de 2010, que não foi nada mais do que dinheiro jogado no lixo por todos que formam o “trade turístico”, juntamente com os governos, secretários e secretarias envolvidas, que quase nada entendiam de turismo, mas não deixaram de usar o dinheiro dos fundos para angariar votos ou cumprir agendas na maioria das vezes sem o mínimo retorno.

Existe um desalinhamento medieval entre organizações, empresários e as necessidades do mercado, mas infelizmente não existe separação. O setor turístico é formado por todos esses grupos e se um perde, todos perdem.

Florianópolis, por exemplo, uma ilha que não consegue nem atracar um navio de turismo, por burocracia.
São Francisco do Sul, uma cidade de potencial cultural e natural gigantesco, onde a presença de operadores turísticos é quase nula.
Urubici e São Joaquim, cidades precárias diante do que poderiam oferecer, que estão anos luz atrás da serra gaúcha, onde lá nem incidência de neve há.

Esses são apenas alguns exemplos de municípios cegos ou que dormem para as possibilidades que o setor pode oferecer.

Nós falamos de cenários locais, mas a realidade não é muito diferente Brasil a fora: Planejamentos sem alinhamento com execução, poder público desinteressado, ganância empresarial, burrice administrativa, fundos municipais de turismo sem fundo, burocracia de acesso a recurso, etc.

No fim, talvez seja só o comodismo brasileiro, em todas as esferas, que faz um setor tão próspero não deslanchar. Em um país de riquezas extraordinárias, em um estado como Santa Catarina, com possibilidade turísticas o ano inteiro, onde a palavra sazonalidade não deveria nem atravessar as fronteiras, antes de reclamar sobre possibilidades, deveria-se questionar até onde cada um está fazendo a sua parte.